Vício em Telas e “Brain Rot”: Como Proteger sua Saúde Mental e o Futuro das Crianças
O termo “Brain Rot” (cérebro apodrecendo) foi uma das expressões mais buscadas em 2024, sendo citada até pela Universidade de Oxford. Ele descreve a sensação de exaustão e “derretimento” mental causado pelo consumo excessivo de conteúdos rasos e irrelevantes nas redes sociais. Esse fenômeno ocorre através do doom scrolling — a rolagem infinita em busca de dopamina barata, uma recompensa rápida que vicia o cérebro sem agregar valor real.
Como as empresas usam o design para nos manter viciados?
As redes sociais e aplicativos não são desenhados por acaso; eles utilizam uma engenharia psicológica sofisticada para capturar nossa atenção:
• Remoção de “Atrito”: A introdução da rolagem infinita eliminou o momento de pausa que existia quando precisávamos clicar para mudar de página. Sem interrupção, o cérebro não reflete se deve continuar ou parar.
• Estímulo Intermitente: O algoritmo alterna conteúdos que você gosta com estímulos neutros. Essa variação funciona como uma máquina de cassino, mantendo você “caçando” a próxima recompensa.
• A “Fantasia de Controle”: O uso excessivo gera a ilusão de que estamos sendo produtivos ou “resolvendo algo” ao checar notificações, quando na verdade é apenas uma forma de tédio ou escapismo para fugir de dores e ansiedades.
Por que o FOMO causa sintomas físicos reais no corpo?
O FOMO (Fear of Missing Out), ou medo de ficar por fora, é a angústia de sentir que algo importante está acontecendo online e você não está participando. Esse estado de alerta constante gera impactos físicos:
• Sintomas Somatoformes: Quando a bateria acaba ou o uso é interrompido, usuários dependentes podem sentir tensão muscular e até coceira na pele.
• Irritabilidade e Ansiedade: A interrupção súbita das telas em quem tem uso disfuncional causa frustração e medo, pois o cérebro interpreta a desconexão como um isolamento social perigoso.
Qual a diferença entre uso produtivo e escapismo?
Nem todo tempo em frente às telas é prejudicial. A diferença reside na intencionalidade:
1. Uso Produtivo: Quando a tecnologia é um meio para um fim construtivo (trabalho ou educação). Um exemplo são os jogadores profissionais de e-sports que, embora usem telas por 12 horas, estão treinando estratégia e reflexos, não fugindo da realidade.
2. Escapismo: Ocorre quando usamos as telas para “anestesiar” dores emocionais, dificuldades cotidianas ou ansiedade social. É uma tentativa mal adaptada de fugir da realidade sem resolver os problemas que causam o sofrimento.
A Biologia da Atrofia: A “Poda Neuronal”
O vício digital altera fisicamente o cérebro, especialmente o córtex pré-frontal, área responsável pelo raciocínio lógico e controle de impulsos.
• Drenagem de Energia: Essa região consome 20% da glicose do corpo. Ao alternar a atenção constantemente, o cérebro entra em exaustão e “desliga” nossa capacidade de planejar e tomar decisões.
• O Risco da Atrofia: O cérebro segue o princípio do “use ou perca”. Conforme o ditado neurocientífico: “neurônio que não é usado, é neurônio que a natureza corta”. Se não exercitamos o foco profundo, essas conexões sofrem uma “poda neuronal”, diminuindo nossa inteligência e resiliência.
O Alerta na Infância: A “Chupeta Digital” e os Dados da Dinamarca
O uso de telas para acalmar crianças é o que chamamos de “chupeta digital”. Isso impede que o cérebro amadureça a capacidade de tolerar frustrações.
O que os dados da Dinamarca ensinam sobre tecnologia escolar?
A Dinamarca e a Finlândia, referências em educação, retrocederam recentemente no uso de tablets em salas de aula, voltando ao lápis e papel. Os estudos nesses países mostraram que o excesso de tecnologia causou:
• Queda na criatividade, iniciativa e curiosidade dos alunos.
• Perda da empatia e prejuízos na motricidade fina.
• Um declínio histórico onde, pela primeira vez, uma geração apresenta QI inferior à anterior.
Como treinar o cérebro para recuperar o foco e atenção?
A boa notícia é que o cérebro é plástico e pode ser reabilitado. Veja como:
1. Treino de Memória de Trabalho: Leia um parágrafo de um livro, feche-o e tente repetir para si mesmo o que leu. Isso exercita o foco e a retenção.
2. Gratificação Adiada (Delay Gratification): Ao sentir o impulso de pegar o celular, estabeleça uma pausa consciente. Beba água ou respire cinco vezes antes de ceder. Isso fortalece o seu “freio” cerebral.
3. Atividades Offline e Manuais: Escrever à mão, cozinhar ou fazer jardinagem exige atenção em um único objeto por tempo prolongado, o que compete diretamente com o circuito da impulsividade digital.
Conclusão e Ajuda Especializada
No Brasil, estima-se que 3% dos jogadores e até 10% dos usuários de internet já apresentam níveis de dependência. Se você sente exaustão mental, perda de foco ou irritabilidade, não ignore esses sinais.
Na Acolher Psicologia e Saúde, oferecemos suporte especializado para ajudar você e sua família a recuperarem o propósito de vida e a saúde mental além das telas.
Sabrina Cruz CRP 07/13456.
Atualizado Dia 22 de Janeiro de 2026.